Skip to content

Dicionário de vozes críticas: Emergência

08/04/2010

Com a ideia de emergência som aludidos aqueles processos mediante os que um determinado sistema, discurso ou conjunto de práticas culturais activam os mecanismos e as estratégias necessárias para a superaçom dum estado de dependência, subalternidade ou minoraçom experimentado historicamente, na procura do reconhecimento.

É possível compreender os processos de emergência em chave nacional, por exemplo para nos referir ao sistema cultural galego das últimas quatro décadas. Mas também se podem qualificar como processos deste tipo os associados com grupos (auto)definidos pola sua condiçom sexual, de género, de classe social e, em geral, polos resultantes de processos de descolonizaçom, hibridaçom cultural ou desterritorializaçom (migraçons, exílio, etc.).

Os sistemas, discursos ou práticas em processo de emergência adoptam quase inexcusavelmente umha posiçom alternativa ou oposta a pares dominantes; é por isso que, com freqüência desde posiçons etnocentristas e/ou hegemónicas, se define o emergente a partir do novo, o imprevisível, o espontáneo ou o transformador. Tal e como aponta Wlad Godzich (Teoría literaria y crítica de la cultura, 1998), as entidades em processo de emergência cultural nom devem ser vistas como instaladas num nível “inferior” ou numha fase “menos madura” que os sistemas, discursos e práticas consolidados e estáveis; por contra, dificilmente poderiam ser concebidas segundos as categorias hegemónicas e convencionais (às que, por isso mesmo, desafiam) e exigem, com certeza, um pensamento crítico também distinto e renovado.

Anúncios
4 comentários leave one →
  1. María permalink
    08/04/2010 18:27

    Excelente post, claro e clarificador.
    Velaí unha das dúbidas que me xorden ante o concepto de “emerxencia”.
    Como ben se explica no primeiro parágrafo, as manifestacións culturais emerxentes procurarían en último termo o seu “recoñecemento”, salvando deste xeito a súa condición de “dependencia”. Nese camiño cara ao recoñecemento, a autonomía e a independencia, a cultura emerxente non estaría deixando de lado precisamente o que permite recoñecela como diferencial, resistente e non integrable segundo as categorías convencionais/canónicas?

    • letras para um rio permalink*
      09/04/2010 10:30

      Obrigad*s polos teus comentários, María. Som mui interessantes os assuntos que sinalas sobre a questom da emergência. Esse risco de o emergente se converter em “assimilado” na procura do reconhecimento é real. A emergência nom deve ser considerada um estado, senom umha fase e um processo. E o verdadeiro repto dos sistemas e discursos emergentes devera ser o de aspirar à diferença (no sentido de que ser diferente é ser existente) sem passar polas “aduanas” que coloca o poder, hegemonicamente ocupadas hoje polo capitalismo. Emerger tamém é resistir, nom é?

      • Iria permalink
        09/04/2010 12:30

        Outra cuestión que dá que pensar é a de quen coloca as etiquetas. É o sistema, grupo, discurso o que se define como emerxente? Ou, como mencionades no post, son as posicións hexemónicas as que designan o outro-emerxente? En calquera dos casos, con que intencións? A miña sospeita, ou alerta, deriva, entre outros, de fenómenos coma este: http://www.lavozdegalicia.es/emergentes/index.htm

  2. María permalink
    09/04/2010 16:41

    Interesantes cuestións. En relación co que apunta Iria, eu non podo deixar de preguntarme se dun tempo a esta parte preferimos chamarlle “emerxente” ao que antes lle chamabamos “subalterno” ou “periférico”, nomes que agora mesmo cotizan á baixa no supermercado da teoría global. No congreso da ACLA, sorprendeume comprobar a cantidade de intervencións nas que, cunha alegría bastante pouco crítica, eramos convidados a nos exercitar no “cosmopolitismo”! Pero non quedaramos en que o termo adoitaba denotar relacións de dominio, e que a literatura comparada non debería participar dese xogo? A min deume a impresión de que os consensos de rebeldía na teoría crítica están quedando atrás, que a falta de memoria teórica (perdón) orixina que poida volver a propoñerse o “cosmopolitismo” como meta da comparación. Perdoade que me estendese, e tal vez que me desviase do tema proposto.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: