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25 de Abril: A revoluçom inacabada

26/04/2010

Tem-se falado do 25 de Abril como a última revoluçom romántica: iniciada com umha cançom, feita por militares com cravos nas espingardas e sob os parámetros do materialismo dialéctico, quer dizer, sem obviar a luita de classes e reivindicando o poder popular. O período imediatamente posterior, o conhecido como PREC (Processo Revolucionário em Curso), inçou os muros de proclamas a favor da reforma agrária, da propriedade comunal e da liberdade —ainda hoje, a principal avenida de Lisboa, recebe este nome que, a bom seguro, uns quantos nom duvidariam em engadir “de comércio”.

É esta umha etapa de instabilidade política em que as prateleiras das casas portuguesas —à par dos azulejos— som preenchidas com livros destinados a verquer para a língua de Mário de Sá Carneiro as obras referenciais do pensamento marxista, ensaios que achegam outras experiências socialistas (desde a Comuna de Paris ao Chile) ou que se destinam a fortalecer as bases da revoluçom portuguesa instruindo em conselhos operários, assemblearismo ou direitos civis (na actualidade, muitos destes livros, recusados e desprezados pola populaçom, podem ser ainda localizados em alfarrabistas e feiras tradicionais).

Da Revoluçom dos Cravos ficou em Portugal essa ideia de gesta histórica: os emblemas da liberdade e do poder popular –o povo é quem mais ordena-, fraternidade ou justiça som postos em relevo cada 25 de Abril numha celebraçom completamente institucionalizada destinada a alimentar o espírito nacional e com poucas referências críticas à actualidade, a excepçom das pronunciadas polos partidos mais a esquerda do PS. Face a isto, nos últimos anos, colectivos e associaçons de base procuram celebraçons alternativas que visibilizem a outra cara da moeda do 25 de Abril —a independência das colónias africanas— ou que, desde umha perspectiva antifascista, anticapitalista e antiautoritária que conecta em muitas ocasions com os actos do Mayday —destinados a denunciar a precariedade laboral— ou antiglobalizaçaçom, mostrem as (des)continuidades, injustiças e desigualdades existentes em Portugal desde o 25 de Abril de 1974. Todo isto com o temor e repressom das forças da ordem lusas —que pouco se assemelham a aqueles militares que integravam o Movimento das Forças Armadas fai 36 anos.

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One Comment leave one →
  1. 26/04/2010 17:18

    lembren que as forzas á esquerda do PS atinxiron nas últimas eleccións máis dun 20% de voto. Portugal é un dos poucos países europeos que, no contexto de crise aguda do capital, vira á esquerda. E aínda que o electoral non é o termómetro único, si indica tendencias. A herdanza do período 74-75 probabelmente ten a ver con todo isto.

    Saúde

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