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Debates para o dia depois

18/05/2010

1. A centralidade do Dia das Letras no calendário cultural, indiscutido tanto desde as instituiçons oficiais quanto desde aquelas outras vinculadas ao associacionismo ou à sociedade civil, semelha continuar a reforçar a hegemonia dum nacionalismo cultural atravessado pola filologia. É neste sentido que a equaçom Lingua-Literatura galega = Cultura galega se mantém com poucas alteraçons. E que nom semelha haver espaço para outras disposiçons, para outras intervençons que, amparadas numha ideia de cultura mais abrangente, pensem mais do que em autores, mais do que em livros e mais do que em passado.

2. No dia em que os esforços pola língua constituem, por umhas horas e apenas simbolicamente, o centro dos debates públicos e mediáticos, ninguém se pergunta polos investimentos e polos projectos de investigaçom desenvolvidos em volta da língua. Dar umha vista de olhos sobre as propostas de trabalho desenvolvidas no Instituto da Lingua Galega e no Centro Ramón Piñeiro implica a formulaçom dalgumhas perguntas: Nom se solapam alguns desses projectos? Hai algum tipo de transferência cara ao conjunto social desse trabalho investigador? Quantos desses projectos olham cara ao futuro, por exemplo no relativo à planificaçom sociolingüística?

3. O Dia das Letras funciona também como núcleo de mobilizaçom, estremado polas luitas encenadas no nível político e social e assumido como parte da sua hegemonia no nacionalismo polo Bloque Nacionalista Galego. Contodo, tampouco som freqüentes os debates sobre os repertórios de protesta maioritários  nom só em torno ao 17 de Maio mas também para a defesa da língua: a manifestaçom, as plataformas e os manifestos, e a ediçom de livros. Repertórios, por outro lado, sujeitos a um discurso em que a centralidade da correlaçom língua-povo-sentimentalidade é indiscutível. Reprovável? Nom se trata disso. Previsível? Com certeza. Eficaz? Nom até o de agora.

4. Experimentem a analisar a programaçom cultural do seu concelho entre os dias 10 e 17 de Maio. Se nom encontram um certame literário para crianças, um recital poético, umha conferência sobre o autor homenageado e música folclórica, mandem aviso. Habitam vostedes numha excepçom: a que confirma a regra. Ou decidírom situar-se num lugar, periférico mas confortável, em que o trabalho de base, imaginativo e renovadamente popular decidiu abandonar algum essencialismo, opor-se ao controlo partidista, fazer política sem horizonte electoral, nom acreditar no consenso.

* A autora da foto, tirada de http://www.anosaterra.org, é Ana Varela.

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One Comment leave one →
  1. m.n.t. permalink
    19/05/2010 11:19

    mui certo

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